Em um bairro onde figuram caros carros e mansões,
Eis que surge uma carroça, sozinha, quieta, singela,
Servindo de transporte para o pobre que ali se alimenta de restos,
Restos de comida, móveis e de emoções,
Emoções aquelas que este evita sentir com receio da dor,
Da dor de nunca poder sentir, na verdade, o gosto do luxo,
Luxo desvairado, obsceno e desfigurado presente na nossa sociedade,
Sociedade, esta, injusta, infame e desproporcional,
Que separa o homem do homem com um desumanidade irracional,
Irracional ao ponto de colocar acima aqueles que possuem dinheiro,
Mas que num país como o Brasil, muitos ricos são porcos que se cercam em seus chiqueiros,
Chiqueiros de mármore, pedra polida ou com grandes portões,
Que se isolam muito mais do que do mundo, mas dos corações,
Corações de uns que sonham com a igualdade social,
Mas que na verdade lutam pela paz universal.
Foto - Rogério Lagos
Um comentário:
Caro Amigo,
Não sabia dessa veia poética, fiquei surpreso e contente.
Mandou bem na foto também.
Abraço.
Postar um comentário